Trump ameaça Europa com novas tarifas por oposição à compra da Groenlândia, gerando tensão global
Presidente dos EUA promete escalar impostos sobre aliados europeus enquanto líderes da UE defendem comércio justo em meio a acordo com Mercosul.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) a intenção de implementar uma série de tarifas crescentes contra aliados europeus. A medida visa pressionar os países a permitirem a compra da Groenlândia pelos EUA, intensificando a disputa sobre o futuro da vasta ilha ártica administrada pela Dinamarca.
Em uma publicação na Truth Social, sua rede social, Trump detalhou que tarifas adicionais de importação de 10% seriam aplicadas a partir de 1º de fevereiro. Os produtos afetados viriam da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – nações que já enfrentam impostos impostos por sua gestão. Essas tarifas, segundo o presidente, aumentariam para 25% em 1º de junho e permaneceriam em vigor até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.
Reação europeia e o acordo Mercosul-UE
O anúncio de Trump coincide com a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, um pacto costurado ao longo de 25 anos. Durante a cerimônia no Paraguai, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou a parceria com os países sul-americanos e criticou implicitamente a política tarifária dos EUA.
“Este acordo manda uma mensagem muito forte para o mundo. Nós escolhemos comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento”, declarou Von der Leyen. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, corroborou o posicionamento. “Este acordo é uma aposta na abertura, no intercâmbio e na cooperação, frente a [ameaças de] isolamento e do uso do comércio como arma geopolítica”, afirmou, destacando a busca por “esferas de prosperidade compartilhada, baseadas na confiança, na cooperação e no respeito à soberania de nossas democracias”.
Diante das ameaças, países proeminentes da União Europeia, juntamente com o Reino Unido, manifestaram apoio à Dinamarca. Eles alertaram que uma possível tomada militar de um território da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pelos EUA poderia desestabilizar a aliança militar liderada por Washington. Na Dinamarca e na Groenlândia, grupos protestaram neste sábado, pedindo que a ilha tenha o direito de decidir seu próprio futuro.
Groenlândia: Segurança dos EUA e envio de tropas
Trump tem reiterado que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA, citando sua localização estratégica e grandes depósitos minerais. O presidente não descartou o uso da força para tomar a ilha. Em resposta, nações europeias enviaram pessoal militar para o território ártico esta semana, atendendo a um pedido da Dinamarca.
“Esses países, que estão jogando esse jogo muito perigoso, colocaram em jogo um nível de risco que não é sustentável”, escreveu Trump. Ele acrescentou que os EUA estão abertos a negociações com a Dinamarca ou qualquer um dos países envolvidos, apesar do que ele descreveu como o risco que eles criaram, “apesar de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas”. As informações são da Agência Reuters.
Reflexos para o Norte de Minas
A escalada das tensões comerciais e geopolíticas entre os Estados Unidos e a Europa, conforme ameaçado por Donald Trump, pode gerar reflexos indiretos na economia do Norte de Minas. A incerteza no comércio internacional e a possibilidade de uma guerra tarifária global tendem a impactar os custos de importação e exportação, afetando setores que dependem de cadeias de suprimentos internacionais ou que visam mercados externos.
Empresas da região que importam insumos ou exportam produtos para mercados globais podem sentir os efeitos de um cenário de maior protecionismo e instabilidade. Além disso, a valorização ou desvalorização de moedas em resposta a essas tensões pode influenciar o poder de compra local e os custos de produção, embora o impacto direto e imediato em Montes Claros e cidades vizinhas ainda seja difícil de mensurar. A atenção aos desdobramentos internacionais é crucial para o planejamento econômico regional.