O cenário global dos 55 anos do Fórum Econômico Mundial é marcado por uma redefinição de horizontes sob a influência do retorno de Donald J. Trump ao poder. Sua gestão tem reorientado a ordem mundial e a globalização, com ações estratégicas notáveis nas Américas, incluindo a tutela do Golfo do México, a gestão do Canal do Panamá e a pressão pela saída de Nicolás Maduro na Venezuela. Essas movimentações, conduzidas com agilidade, refletem a geopolítica estadunidense.
Um dos focos de intervenção mais recentes de Trump é o aumento da presença dos EUA na Groenlândia, território dinamarquês. O acelerado derretimento do Ártico abre novas rotas comerciais, criando um corredor estratégico que Rússia e China poderiam utilizar para escoar produtos globalmente. Essa proximidade com o território norte-americano representa uma potencial pressão militar inédita sobre os Estados Unidos.
O Domo de Ouro e a Defesa Estratégica
Em diálogo com representantes da Groenlândia, Dinamarca e OTAN, o governo Trump busca expandir sua influência no território. A estratégia visa integrar a Groenlândia à logística do “Domo de Ouro”, um sistema de vigilância e ataque com satélites projetado para interceptar mísseis inimigos. A iniciativa ganha força diante do desenvolvimento e exibição de mísseis balísticos por China, Coreia do Norte e Rússia, capazes de atingir solo americano.
Busca por Paz na Ucrânia e Tensão no Irã
Paralelamente, Trump avança em seu objetivo diplomático de um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia, conflito ativo desde 2014. Negociações diretas entre diplomatas americanos e a equipe de Vladimir Putin focam nos termos finais, especialmente sobre os territórios que permanecerão sob controle russo. A retomada integral das regiões pela Ucrânia, liderada por Volodymyr Zelensky, parece cada vez mais improvável, configurando um cenário de paz frágil na Europa Oriental.
Enquanto isso, o Irã enfrenta uma iminente guerra, tanto interna quanto externa. Mergulhado em grave crise econômica e com sua capacidade nuclear abalada por ataques em 2025, o regime do aiatolá Ali Khamenei se mantém no poder pela repressão severa. A recente viagem de Trump incluiu o envio de um robusto aparato de vigilância e ataque para áreas próximas ao Irã, sinalizando possíveis ações concretas.
Contenção da China e Equilíbrio Global
Trump corre contra o tempo para conter a influência chinesa, buscando salvaguardar áreas tradicionais de influência como a América Latina e o Oriente Médio. A pacificação da Europa visa fortalecer aliados estratégicos contra o Oriente. A ampliação dos Acordos de Abraão é uma estratégia para limitar a expansão da Nova Rota da Seda chinesa.
O cenário global se desenha em um equilíbrio frágil, onde a possibilidade de paz duradoura coexiste com a consolidação de conflitos regionais constantes, marcando uma nova fase na globalização.
Por Victor Missiato, professor de História e analista político.
Reflexos para o Norte de Minas
A reconfiguração geopolítica global, com o retorno de Donald Trump e a busca por novas rotas comerciais no Ártico, pode ter repercussões indiretas para o Norte de Minas. O aumento da tensão em regiões estratégicas como o Oriente Médio e a Europa Oriental pode influenciar os mercados globais de commodities, afetando setores como o agronegócio e a mineração, importantes para a economia de Montes Claros e região. A busca por estabilidade em áreas de conflito pode, a longo prazo, favorecer um ambiente de negócios mais previsível, embora a volatilidade política internacional exija monitoramento constante por parte de empresários e autoridades locais.