Voçorocas de 30 metros ameaçam colapso urbano em Buriticupu (MA) e especialista da UFMA alerta para mau uso do solo

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Voçorocas de 30 metros ameaçam colapso urbano em Buriticupu (MA) e especialista da UFMA alerta para mau uso do solo

Cidade maranhense vive crise com crateras que engolem casas e ruas, intensificada por desmatamento e falha na drenagem, servindo de alerta para outras regiões do país.

Buriticupu, município maranhense localizado a 415 quilômetros de São Luís, enfrenta uma grave crise ambiental e urbana. A cidade está cercada por extensas voçorocas, grandes escavações do solo que chegam a medir mais de 30 metros de profundidade. Essas crateras têm provocado o colapso de ruas, a perda de moradias e colocado milhares de famílias em situação de risco permanente, agravando-se a cada período chuvoso.

A situação, que se intensifica há pelo menos quatro décadas, é mais evidente durante as chuvas. Segundo o professor doutor Marcelino Farias, do Departamento de Geociências da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Buriticupu é um “caso típico de mau uso do solo, especialmente urbano”, que deve ser visto como um exemplo a ser evitado em outras localidades do Brasil.

Crescimento Desordenado e Fatores Naturais

O professor Farias explicou à Agência Brasil que a geomorfologia da região contribui para o fenômeno. O relevo ondulado, a cidade cercada por vales e a concentração de chuvas em determinados períodos do ano são fatores naturais que favorecem a erosão. Contudo, o desmatamento ilegal incrementou significativamente esses processos.

“Muitas áreas foram desmatadas sem autorização, sem controle, para a implantação da pecuária, e a pecuária hoje é uma das principais causas da erosão na zona rural”, afirmou o pesquisador. A expansão urbana desordenada também agrava a situação, com o surgimento de mais ruas pavimentadas que direcionam o esgoto e a água pluvial para as encostas sem o devido cuidado, acelerando a erosão.

Agravamento e Falta de Soluções Efetivas

Nos últimos três anos, a situação se intensificou, com inúmeras ruas sendo tomadas pelas crateras. Embora o governo federal tenha destinado recursos em 2024 para projetos de drenagem, as medidas não reverteram o problema. Em fevereiro de 2025, a prefeitura de Buriticupu decretou estado de calamidade pública devido ao agravamento das erosões que afetam casas e vias públicas.

Farias ressaltou que a pavimentação sem rede de drenagem e a ausência de obras de contenção dentro dos parâmetros técnicos dificultam a solução. “As áreas continuam sendo urbanizadas próximo à encosta, as ruas continuam drenando para essas encostas e não há nenhuma obra de drenagem, de contenção da velocidade ou do fluxo de água para resolver o problema”, pontuou.

Alerta de Colapso Urbano e Medidas Urgentes

O cenário atual aponta para um risco iminente de colapso urbano caso medidas urgentes e estruturais não sejam adotadas. Entre as soluções propostas estão o uso de geotecnologias para diagnósticos, a bioengenharia (com retaludamento e revegetação) e a implantação de sistemas eficientes de drenagem de águas pluviais e esgoto.

O professor defende que o poder público municipal deve assumir a liderança no processo, debatendo o crescimento urbano e planejando a ocupação do solo. “Isso só vai ser possível com a atualização do plano diretor, que vai proibir e controlar o uso de áreas que são vulneráveis à erosão e que não podem ser ocupadas”, defendeu Farias. Ele também enfatiza a necessidade de obras de drenagem efetivas e destinação correta do esgoto.

A prefeitura de Buriticupu, que foi contatada pela Agência Brasil e aguarda posicionamento, emitiu um alerta em suas redes sociais diante do recente volume de chuvas. Em 72 horas, a partir do dia 4, foram registrados aproximadamente 114 mm, com previsão de chuvas intensas. O município está sob alerta moderado para movimento de massa, emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), que orienta a população em áreas de risco a ficar atenta a sinais de perigo e buscar abrigo imediato se necessário.

Reflexos para o Norte de Minas

O caso de Buriticupu serve como um importante alerta para cidades do Norte de Minas, como Montes Claros, que também experimentam crescimento urbano e estão sujeitas a pressões ambientais. A região possui áreas com relevo acidentado e períodos de chuva intensa, tornando-a vulnerável a processos erosivos se o planejamento urbano e a gestão ambiental não forem adequados. A ausência de um plano diretor atualizado, a ocupação de encostas e a falta de sistemas de drenagem eficientes podem replicar cenários de risco, exigindo atenção das autoridades locais para evitar desastres semelhantes e proteger a população e a infraestrutura.

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